Correlação mede o quanto dois ativos se movem juntos. Expressa-se num coeficiente de -1 a +1: próximo de +1, andam na mesma direção (ex.: WIN e IBOV — quase perfeita, por construção); próximo de -1, em direções opostas (ex.: classicamente, Ibovespa e dólar); próximo de 0, sem relação linear. Calcula-se sobre os RETORNOS (variações), não sobre os preços, tipicamente em janelas móveis (20, 60, 120 períodos) — porque correlação muda com o tempo e com o regime de mercado.
A aplicação ao trading tem dois ramos: análise intermercado (John Murphy) — usar mercados relacionados como contexto e confirmação — e gestão de risco — entender que posições em ativos correlacionados são, na prática, uma única posição maior.
O dia a dia do WIN e do WDO é um jogo de correlações: o índice B3 responde a S&P 500, dólar, juros futuros (DI) e commodities (Vale ↔ minério, Petrobras ↔ petróleo — juntas, peso enorme no Ibovespa); o dólar responde ao DXY, aos emergentes e ao diferencial de juros. Trader de WIN que não olha o S&P opera com um olho fechado: boa parte dos movimentos "do nada" do índice é só o futuro americano andando. Correlação também evita o erro silencioso de risco: estar comprado em WIN e vendido em WDO é (na média) duas vezes a MESMA aposta — dobrou o risco achando que diversificou.
Fortes: contexto que o gráfico isolado não mostra; confirma ou desconfia de rompimentos; evita concentração disfarçada de risco; base de estratégias de spread e hedge; essencial em mercados "satélites" como o BR, que reagem ao exterior. Limitações: instável — muda de regime sem aviso; janelas diferentes dão números diferentes; correlação passada não garante a próxima hora; tentação de achar relação causal onde há coincidência estatística; excesso de telas correlatas paralisa a decisão ("espera o ES, espera o DXY..." e o trade vai embora).
WIN se aproxima da resistência do dia (131.500) às 14h. O trader olha o cockpit: S&P futuro rompendo a máxima do dia com força, dólar caindo, DI comportado — os três correlatos empurram na mesma direção. O rompimento do WIN vem confirmado e o follow-through é limpo. Semana seguinte, mesma cena no gráfico do WIN — mas o ES está travado na resistência e o DXY subindo. O trader pula o trade: o rompimento fura e devolve (falso rompimento), derrubado pelo exterior. Mesmo setup local, destinos opostos — a diferença estava fora do gráfico do índice.