Força relativa (RS, relative strength) é a comparação de desempenho entre dois ativos — ou entre um ativo e seu índice de referência — para identificar qual está mais forte. A ferramenta central é o gráfico de ratio: divide-se o preço de A pelo de B (ex.: PETR4/IBOV). Ratio subindo = A performa melhor que B (mais forte); caindo = mais fraco. Também se mede comparando variações percentuais na mesma janela ou por rankings de retorno (base do momentum investing e dos estudos clássicos de rotação setorial).
Atenção à confusão clássica: força relativa comparativa NÃO é o RSI (Relative Strength Index) de Wilder. O RSI compara o ativo com ele mesmo (ganhos vs. perdas recentes); a força relativa compara dois ativos entre si. Nomes parecidos, ferramentas completamente diferentes.
A força relativa responde "qual ativo operar" — decisão anterior ao "onde entrar". A evidência empírica de momentum (Jegadeesh & Titman e décadas de literatura) mostra persistência: ativos que vêm performando melhor tendem a seguir melhor no curto/médio prazo. Para o trader: compra-se força, vende-se fraqueza. No intraday, a leitura fica tática: num dia de índice subindo, a ação que sobe MAIS que o IBOV é onde o fluxo comprador está; num repique de mercado em queda, o papel que NÃO repica é o candidato natural de venda. A RS também revela rotação de setores (dinheiro migrando de bancos para commodities, por exemplo) antes que os gráficos individuais deixem óbvio.
Fortes: direciona o capital para onde o fluxo está; momentum tem respaldo empírico longo; ratio chart permite usar todo o ferramental técnico numa relação; antecipa rotações setoriais; melhora qualquer setup só pela escolha do veículo certo. Limitações: momentum sofre reversões violentas (crashes de momentum — o forte de ontem despenca); RS não diz NADA sobre timing de entrada (precisa do ferramental normal); em dia de pânico, tudo cai junto e a RS intraday vira ruído; ratio de ativos ilíquidos engana; janelas diferentes dão rankings diferentes — exige padronização.
Dia de alta na B3: IBOV +0,8% às 11h. O trader compara os líquidos: VALE3 +2,1% (rompendo máxima do dia anterior), enquanto ITUB4 +0,3% patina abaixo da VWAP. Escolhe operar a compra na VALE3 — o papel mais forte — no pullback à VWAP, e ignora o "atrasado". À tarde, o índice corrige 0,4%; VALE3 recua apenas 0,1% e segura a média (força confirmada), e na retomada faz nova máxima antes do índice. O mesmo setup de pullback existia nos dois papéis; a força relativa decidiu QUAL deles pagaria — e pagou.